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© Jonas Batista
Se leram p(ó)ços, (ó)vos, acord(ô)s, impecável.
Geralmente os substantivos e os adjectivos terminados em “o” átono, cuja tónica é o “o” fechado, formam o plural com alteração de timbre da vogal tónica.
Por miúdos, quer isto dizer que o “o” fechado passa a aberto: abrolho, abr(ó)lhos; almoço, alm(ó)ços; caroço, car(ó)ços; contorno, cont(ó)rnos; coro, c(ó)ros; corpo, c(ó)rpos; corvo, c(ó)rvos; destroço, destr(ó)ços; esforço, esf(ó)rços; imposto, imp(ó)stos; fogo, f(ó)gos; forno, f(ó)rnos; ovo, (ó)vos; poço, p(ó)ços; tijolo, tij(ó)los, etc.
Mas há palavras que mantêm no plural o “o” fechado que caracteriza o singular: abortos, acordos, adornos, becos, bolos, cachorros, cocos, dorsos, encostos, ferrolhos, garotos, globos, golfos, gostos, lobos, logros, moços, morros, mostos, namoros, pilotos, piolhos, polvos, potros, rebocos, repolhos, restolhos, rolos, rostos, sopros, subornos, transtornos, topos, etc.
Pronunciá-las mal não é regionalismo, é incorrecção. E como não há uma regra própria para as distinguir, o erro quase se normaliza. Se algumas até nos soam mal, pelo ouvido vamos lá, outras geram a dúvida. A via, essa, é mesmo a da memorização.
Com base na Nova Gramática do Português Contemporâneo, Lindley Cintra e Celso Cunha, Edições João Sá da Costa, 12.ª edição, p. 184. ROC Oriente
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