"Onde é que tu estavas no 25 de Abril?"
24-Abr-2009

Em entrevista à Pública, em 2005, o filósofo José Gil cita o físico João Magueijo, actualmente a trabalhar em Inglaterra, que, à pergunta sobre se conseguiria produzir o mesmo nível de ciência em Portugal, respondeu: “De maneira nenhuma. Sabe porquê? Por causa das trocas de pensamento em que eu vivo quotidianamente. É isso que me faz pensar.” José Gil refere que esta é uma consequência da infantilização da sociedade portuguesa provocada por quase meio século de salazarismo.

Poucas vezes a história tem, tão claramente, um antes e um depois, em que o “depois” é tão categórico que o “antes” quase parece não aconteceu. É assim com a nossa sociedade: temos o antes e o depois do 25 de Abril de 1974. Viajando pela Europa, há o antes e o depois da guerra, de que já passaram 64 anos. No Leste, é assim entre o antes e o depois do muro, mas ainda só passaram 20 anos.

Por cá, o “depois” começou há 34 anos, e vai envelhecendo a pergunta popularizada por Herman, mas frequente em outras conversas: “Onde é que tu estavas no 25 de Abril?”

Para João Magueijo, que estaria na escola (se teve aulas nesse dia), um tempo em que se vive quotidianamente sem “trocas de pensamento” é impensável. Mas, para José Gil, que o viveu, “ainda não recuperámos” desse tempo. E assim é como “continuar como se nada se tivesse passado. Os acontecimentos não se inscrevem em nós, nem nas nossas vidas, nem nós nos inscrevemos na História.”

Também não tive aulas nesse dia, como, provavelmente, alguns, poucos, de nós.

Aqui na LPM, a esmagadora maioria não estava em lado algum, como me lembrou ontem a Cristina Silva Bastos (ainda sem planos para nascer), propondo a questão: “Onde é que estavam no 25 de Abril?”

A maioria pertence à geração do “depois”, já sabemos, mas fica a pergunta para os que queiram partilhar. Roc Pádua


 

 
Carta de amor ao livro
23-Abr-2009

"Desde que existo que gosto de livros. Primeiro de forma passiva. Não sabia o que fazer com eles. Gabava-lhes a lombada, a capa promissora e perdia-me num mar de letras que não percebia. Talvez por isso fui tão bom aluno no primeiro ano, tinha tal sede de saber juntar letras em ideias que não pensava em mais nada. No Verão de 1992 já li com a avidez que até hoje me acompanha.

O que li? O que aparecia. Na altura não tinha a elasticidade financeira que hoje vou tendo portanto tudo o que me emprestasssem ou oferecessem era bem-vindo. Lembro-me que, na rua principal paravam umas carrinhas cor-de-vinho que vinham da parte de um senhor arménio que morava em Lisboa. Entrava lá dentro e o senhor arménio de Lisboa emprestava-me, por uma semana, uns livros. Sei hoje que se chamou Calouste Gulbenkian e foi um grande amante de arte. Nos tempos de guerra escolheu Lisboa para fazer descansar o seu espólio. Volta e meia vou à fundação dele e compro uns belos livros de filosofia.

Mais tarde vieram as aventuras. Não gostava muito dos Cinco (adivinhava já o asco pelo Noddy, da mesma autora?) mas lia. Quando me ofereceram o Clube das Chaves fiquei no céu. Devorei. Uma Aventura. Devorei. Triângulo Jota? Devorei.

BD? É a minha recente tara com Watchmen e outros que tais mas com os meus 14 anos descobri Tintin, Asterix. Mais tarde veio Spirou, Gaston La Gaffe, Calvin & Hobbes e Adam.

Um dia vim a Lisboa, sou do Cercal, fiquei à espera que a tia acabasse um reunião e entrei numa livraria. Com o dinheiro contado comprei o meu primeiro livro do Luís Sepúlveda. Foi amor. Li todos até hoje e assim que saí um novo compro-o logo. Gosto muito daqueles contos poéticos sobre realidades simples.

Depois diversifiquei e, tenho a sorte de me ir apaixonando com facilidade mas profundeza por muitas letras diferentes. A loucura de Harry Potter ainda no ano 1999, Adrian Mole de Sue Towsend, Eco com Baudolino, Puzzo com A Família, Fernando Pessoa com O Livro do Desassossego, Eça com A Cidade e as Serras, Alberoni com os seus tratados sobre o amor, Ken Follett com os seus épicos medievais e neste momento apaixono-me por Sándar Márai com As Velas ardem até ao fim.

Que puro amor se pode ter pelas letras que nos engolem e, fazem de nós heróis."

Francisco Reis, com os cumprimentos do seu Há Normal?

 

 
Dia Mundial do Livro e do Direito de Autor
23-Abr-2009

Qualquer ocasião serve, mas esta não se pode deixar passar: Ler. Novela que é religião, biografia política que é conto, ensaio que é comédia, dramas ou horrores, tanto faz, é pegar num e (re)ler. Pode ser no elevador, na rede de dormir, na esquina ou durante o intervalo do Estoril Surf Festival. Desde que seja livro e desde seja lido e não decore só prateleiras. Hoje o Dia Mundial é do Livro, que, como é de direito, o partilha com o Autor.

A celebração foi instituída pela Conferência Geral da UNESCO para prestar tributo a autores da literatura mundial que nasceram ou faleceram a 23 de Abril: Cervantes, Shakespeare e o peruano Inca Garcilaso de la Veja, por exemplo, morreram os três neste dia, em 1616.  Na Catalunha, hoje é Dia de São Jorge e por cada livro vendido oferece-se uma rosa, um uso que também terá inspirado a decisão da UNESCO.  Roc Oriente

 

Vídeo "apanhado" por Sérgio Lobo.

 
Lugares Mesmo Comuns
22-Abr-2009

"Mesmo muito pouco, provavelmente até nada" autorizado pela empresa, um novo sítio surge enquanto pousio aberto e comum às equipas LPM. Divulga, reflecte e promete. A adicionar aos favoritos.  

 

 
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